Depois de um bom tempo com este blog parado (para não dizer abandonado) resolvi retomá-lo seguindo a frase contida em seu título, Just for fun, Just for me, principalmente a parte do just for me.
Resolvi então rescrever uma antiga teoria (por enquanto em uma versão resumida e escrita rapidamente), que formulei ainda na minha adolescência e que acabei destruindo por achar extremamente depressiva e por querer acreditar que eu estava errado. Abaixo tentarei descrever novamente a minha Teoria da Inutilidade do Ser.
Resumo
Não há absolutamente nada, nenhum resquício de consciência, nenhuma alma ou espírito que permaneça após a morte e não há nenhuma ressureição, haja visto que Deus não existe. Não há, portanto, nenhuma utilidade em nossa existência o que a torna completamente despropositada.
A fé
A fé é algo que faz parte de nossa natureza, nosso ego não permite que o homem admita sua inutilidade, não admite que a morte seja o final, pois para o homem deve existir um propósito para sua existência. A fé nada mais é do que assumir como verdade algo que não temos como comprovar.
O mundo é lindo, nós somos seres conscientes, deve existir uma razão para tudo isso, deve existir um propósito (geralmente divino e além de nossa compreensão). Por quê? Façam-me o favor… é muita prepotência nossa nos considerarmos tão especiais assim a ponto de ser obrigatória uma razão para nossa existência.
O que nos difere dos outros animais? O tamanho e complexidade de nosso cérebro, que permite que tenhamos consciência de nossa existência e o temor do nosso final.
Várias civilizações durante milênios tiveram as mais diversas crenças: nos transformaríamos em algum animal, viraríamos uma estrela, continuaríamos vivos em alguma outra dimensão, ou até mesmo seríamos julgados e, de acordo com nossa conduta, iríamos para o paraíso ou queimaríamos no fogo do inferno por toda a eternidade. Tudo isso porque simplesmente tememos o nosso fim e o negamos a todo custo, criando sempre uma continuação, como se fosse uma História Sem Fim.
Por que inúteis?
Esta parte não é facilmente compreendida, haja visto que as pessoas não conseguem desconsiderar suas crenças, mesmo que apenas momentaneamente de forma a assumir as premissas da teoria. São elas:
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Deus não existe, nem nenhuma outra entidade ou assemelhado;
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Não existem também alma e espírito;
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Não há vida após a morte nem ressureição;
Assumindo como verdade as três frases supracitadas, qual seria afinal a razão de nossa existência? Mais do que isso: que diferença fará a nossa vida, nossos atos e tudo que deixamos para trás?
Não temos consciência após a morte, portanto não interessa se fomos felizes ou sofremos enquanto vivos, pois nenhum sentimento restará.
Todos os demais seres sobre a Terra compartilham dessa mesma falta de utiidade, pois terão o mesmo fim. Não há portanto, nenhuma utilidade em termos filhos, todavia não há também nenhum motivo para não tê-los, pois toda nossa existência é indiferente no final das contas.
Considerações finais
Me perguntaram mais de uma vez quando eu comentei sobre a Inutilidade do Ser: “Se você acredita nisso, por que simplesmente não se mata e acaba logo com isso?”
Ora, essa é fácil! Primeiramente porque não faria a menor diferença, e outra… Vá que eu esteja errado!
E mais do que isso, a vida da humanidade é inútil, já que o tempo e o universo são infinitos. Ou seja, o tempo já era infinito antes do Big-Bang.
Isso quer dizer que a existência da vida na Terra passou num piscar de olhos, ou menos do que isso, dado à enorme amplitude da linha do tempo.
Toda a nossa cultura acumulada serviu só para servir a nós mesmos, durante um período minúsculo de tempo: o tempo existimos.
Quando morrermos, não vai ter nada. Só o inconsciente. E pior, não vamos ter nem consciência do nosso inconsciente.
E a morte é pra sempre, amigo. Nunca mais seremos lembrados, ou você lembra de camponeses medievais que morreram, talvez até nossos antepassados?
A morte vai ser preto no preto, quer dizer, não vai ter nem cor, já que não vai ser nada.
Quer compartilhar com uma mente que pensa parecido com a sua: mattheus_branco@hotmail.com
É cara, realmente é muito depressivo pensar desta forma e sem dúvida é melhor acreditar que se esteja errado em algum lugar. Já compartilhei desses pensamentos muitas vezes, mas a gente pode extender um pouco mais o raciocínio.
O ser humano tem essa necessidade de achar motivo pra tudo, nossa mente funciona assim: comemos porque temos fome, dormimos porque temos sono, sorrimos porque achamos graça, e, por tras disso tudo, nossa mente nos faz fazer tudo isso com o propósito que ela consegue agregar.
A fé em algo após a morte tampa muito bem esse buraco. E mesmo quando ela não existe, a esperança de estar errado cumpre bem o papel.
Quer uma sugestão de algo pra acreditar? Acredite na sociedade, nos seres humanos ou no produto de nossas vidas. É engraçado como o resultado dessa atitude nos torna parecidos com alguem com fé no “além”.
Você pode perceber que não estamos vivendo mais em cavernas, temos muitas formas de organização (econômica, politica, geográfica…), mais saúde, mais conciência…
Isso tudo foi deixado pra nós desde que os “macaquinhos” resolveram que poderiam fazer mais.
Desistir de tudo nos faria pior que aquele macaquinho pre-histórico.
Tá certo que ainda estamos muito longe de alcançar ideais de convivência, generosidade e civilidade, temos um longo caminho pela frente. Mas também já andamos bastante.
Temos que resolver problemas de pedófilos, corruptos, ladrões, assassinos, traficantes… é são muitos problemas, mas a gente já até sabe quais são os problemas. Há 100 anos atrás uma mulher não poderia largar ou mesmo enfrentar um marido que a espanca. O erro ainda seria dela.
A gente está evoluindo…
E se existem hipóteses para o fim do mundo, também existem para se fugir dele e perpetuar as nossas ideias.
Há pouco tempo atrás, o tempo era considerado uma coisa imutável e constante, mas veio um tal de Einstein e deu um nó em todos…
Até nesse cara que fez o comentário antes de mim. O tempo não existia antes do big bang… E vai explicar isso?
Agora, imagina o quanto a humanidade ainda tem pra descobrir? Provavelmente nossa idéia de universo está errada. Logo vão teorizar sobre como sair do universo que talvez já nem se chame mais universo, e quem sabe o que encontrar…
Lógico que não seremos nós, ou nossas almas que ficaram flutuando intangíveis admirando o fruto de nossos descendentes. Mas se alma é o que fica após a morte de alguém, a contribuição de todos é muito importante. Não só do Einstein, mas dos seus pais, professores e vizinhos. Dos caras que limparam a rua, pra todos não apenas os gênios continuarem saudáveis. Dos que plantaram e colheram… pra termos comida. Médicos, pedreiros, padeiros, lixeiros, político (esse ainda dói, mas deles tb), amigos, vizinhos, professores. Até o hittler teve seu papel, ninguém gostou, seria muito melhor se tivéssemos aprendido o que ele ensinou sem a guerra, mas aprendemos até a desconfiar da suástica, que é um simbolo positivo porém carregado da idéia nasista.
A gente chega lá… é um pensamento de formiga, mas pra quem raciocina é melhor trabalhar pela colônia do que pela religião.